Lesões musculares representam aproximadamente 30% das consultas em medicina esportiva. Estas lesões resultam a partir de  uma sobrecarga indireta ou de uma lesão direta, e variam de dor muscular tardia (DMT) à laceração completa do músculo.

            Um indivíduo com DMT normalmente se apresenta com dor e contratura muscular de 1 a 3 dias após um treino excessivo. Rigidez e fraqueza também são comuns. São resultados da DMT são os danos estruturais às fibras musculares. Os dano são reversíveis, mas os déficits mensuráveis ​​de força duram até 10 dias. Atletas que realizam treinamento de força não supervisionado ou que, de repente, aumentam a sua carga no treino, são susceptíveis a essa lesão. Assim, o popular “sem dor, sem ganho” pode causar mais mal do que bem.

            A distensão muscular, é a rotura parcial de uma unidade músculo-tendão. Esta resulta de forças indiretas, quando o músculo é passivamente alongado ou ativados durante o alongamento, além de seu limite viscoelástico. A junção miotendínea é o sítio mais susceptível a lesão, provavelmente porque os sarcômeros (unidade contrátil muscular) terminais são mais rígidos do que os sarcômeros no meio do músculo. Músculos que cruzam duas juntas, incluindo o isquiotibiais, bíceps braquial, reto femoral, adutores do quadril e gastrocnêmios, estão predispostos a lesões por sobrecarga muscular. porque esses músculos muitas vezes trabalham e, portanto, estão sobrecarregados, durante exercícios excêntricos, absorvendo a energia do movimento. Lesão por fadiga e lesões anteriores aumentam o risco de uma nova lesão.

            Contusões musculares geralmente resultam de traumas contusos não penetrantes, enquanto lacerações musculares geralmente resultam de lesões agudas e penetrantes.

            Depois de ocorrer uma lesão, a reparação do músculo esquelético progride através de quatro etapas inter-relacionadas: necrose/degeneração, inflamação, reparo e formação de tecido cicatricial. Após a lesão, as miofibrilas necrosam e degeneram, formando um hematoma, com a chegada subsequente de células inflamatórias. Estas segregam várias citocinas e fatores de crescimento, ocorrendo desde o início e predominando nos primeiros 5 dias pós-lesão. A regeneração muscular ocorre via células satélites que são ativadas por vários fatores de crescimento para proliferar e se diferenciar em fibras musculares. A regeneração começa de 7-10 dias após a lesão, com pico em 2 semanas, e começa a desvanecer-se após 4 semanas da lesão. Em uma lesão significativa, a formação do tecido cicatricial (tecido fibroso) começa a predominar após 3 semanas. Quando ocorre a formação de um tecido fibrótico cicatricial, o músculo não pode se regenerar completamente. Este fator não é significante na maioria dos estiramentos e lesões pequenas, mas com a laceração completa de um músculo através da sua substância, o músculo recupera apenas aproximadamente 50% da sua capacidade de produzir tensão novamente. O tratamento para as lesões agudas começa com repouso, gelo, elevação do membro e compressão, para diminuir a hemorragia, edema, e dor. Ao bloquear a produção de prostaglandinas, anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) diminuem a dor e podem ajudar o paciente a iniciar um programa de reabilitação. No entanto, o uso rotineiro de AINEs após uma lesão muscular ainda é incerto, porque os níveis de prostaglandinas reduzidas podem interferir com o reparo do músculo e sua regeneração.

A reabilitação de uma lesão muscular deve ser progressiva, promovendo a regeneração e previnindo recorrência. O alongamento inicia-se com movimentos ativos suaves e progride para alongamentos passivos estáticos, conforme a dor permitir. O fortalecimento inicia-se com exercícios resistidos isométricos e isotônicos leves. Quando a amplitude de movimento é recuperada e a dor está ausente, o paciente pode evoluir para o fortalecimento isocinético, excêntrico e exercícios específicos para cada  esporte. Para que se evite uma nova lesão, o retorno às atividades é permitido, quando a musculatura lesionada possuir 90% da força do músculo do membro contralateral.

            Lacerações musculares significativas são melhor tratadas por reparo cirúrgico, o qual pode ser reforçado por enxerto de tendão.