Lesões meniscais decorrentes de atividades esportivas ou atividades da vida diária são muito comuns atualmente, podendo ocorrer isoladamente ou em associação a lesões ligamentares. A presença de dor, edema, travamento e perda do movimento do joelho geralmente requerem tratamento cirúrgico para resolução dos sintomas. Para o tratamento adequado destas lesões é fundamental o conhecimento da anatomia e função do menisco na articulação do joelho. Além disso, devemos nos ater aos diferentes tipos de lesão meniscal e tratamento distinto para cada situação.
Os meniscos são estruturas fibrocartilaginosas em formato da letra “C” ou semicirculares, possuindo inserções ósseas no planalto tibial na região anterior e posterior. Realizando-se um corte axial no menisco, podemos observar um formato triangular, constituindo a base do triangulo a parte periférica e o ápice do triangulo a parte central. Inúmeras fibras colágenas formam a estrutura meniscal, sendo as fibras longitudinais as principais fibras de sustentação do menisco. Fibras radiais estão dispostas em toda a estrutura meniscal, sendo responsáveis pela resistência contra lesões longitudinais (1).
Aproximadamente 70% do menisco é formado por colágeno, sendo o colágeno do Tipo I o predominante (90%) (2).
Ao nascimento, todo o menisco é vascularizado. A vascularização do terço central do menisco começa a diminuir aos nove meses de idade e, aos dez anos, torna-se avascular.
As principais funções do menisco são: absorção de impacto, distribuição de carga, diminuição do atrito na cartilagem articular, promover a congruência articular aumentando a área de contato, limitar extremos de flexão e extensão do joelho e propriocepção.
O diagnóstico das lesões meniscais deve ser feito através de uma anamnese detalhada associada a um bom exame físico. Geralmente o paciente refere dor medial ou lateral no joelho, após um evento traumático em rotação ou hiperflexão do joelho, levando a um edema e limitação do movimento. Queixas de travamento do joelho podem estar presentes dependendo do tipo de lesão meniscal, sendo mais comuns em casos de lesão meniscal em alça de balde.

Lesão Meniscal em Alça de Balde

Lesão Radial de Menisco

Lesão Meniscal em Flap

 

O tratamento das lesões meniscais é baseado no tipo de lesão encontrada e na característica do paciente. Uma lesão em alça de balde na região periférica em um paciente de 16 anos será tratada diferentemente de uma lesão horizontal degenerativa central em um paciente de 45 anos.
 A introdução da técnica artroscópica na cirurgia do joelho contribuiu muito para o tratamento das lesões meniscais, evitando as graves complicações tardias das meniscectomias totais abertas, que foram realizadas por muitos anos em nosso meio.
São indicações para o tratamento cirúrgico através da artroscopia: falha no tratamento conservador, que inclui mudança na atividade esportiva, medicação e tratamento fisioterápico; sintomas de lesão meniscal como dor e bloqueio em atividades diárias e realização de esportes; presença de testes meniscais positivos (McMurray, Apley).
As lesões meniscais devem sempre ser reparadas com suturas, quando possível, tentando-se preservar ao máximo a estrutura funcional do joelho. Na impossibilidade de realizarmos uma sutura meniscal, deve-se realizar uma meniscectomia parcial.
 A meniscectomia parcial consiste no tratamento da lesão meniscal através de uma ressecção parcial do menisco, preservando as áreas sem lesão.
Nem todas as lesões meniscais causam sintomas. Algumas lesões cicatrizam com o tempo, principalmente se associadas a lesões do ligamento cruzado anterior.
            São lesões consideradas estáveis, que não requerem tratamento: lesões longitudinais verticais com menos de 10 mm, lesões parciais com menos de 50% da espessura do menisco acometida e lesões radiais com menos de 3 mm.